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Eis que a terra girou de volta ao século XIX

O   ano é 2017.  Resolvemos fazer uma performance para um apresentação no final das aulas de (surpreenda-se) performance.  O roteiro que tinha escrito em conjunto com meu grupo basicamente falava da contradição do movimento judaico atual. Cancelado por motivos de "meninos...bom..., a escola não quer focar nesse tipo de coisa, e nem num grupo especifico...", a ideia ficou ai, parada, tal como o filme de Superman com Nicolas Cage dirigido por Tim Burton.  Hoje, quase um ano depois disso, estava lendo o roteiro, e uma das falas diz que "a ordem vem de grandes crises...". Não vou citar aqui as outras porque deixa muito na cara o objetivo do texto, mas o contexto em que estamos, faz total sentido com esse trecho citado. Estamos em crise. Em vários sentidos.  No Rio, qualquer jornal se tornou o Brasil Urgente e em São Paulo, corremos o risco de sermos governados mais uma vez pelo Ken Humano.  E minhas notas também já não são as melhores, ou s...

"Jogador Número 1" é o puro creme da nerdice (Sem spoilers)

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Disclaimer!!! Achou mesmo que não ia ter spoiler? Acertou.  Apesar do blog ser meu e eu ser o individuo que vos escreve, e que já viu o filme, eu tenho plena consciência de que estragar a experiência de alguém não é legal...Brincadeira fora de hora, vamos ao texto.  E ra uma segunda feira normal até que recebi um e-mail com a confirmação de que eu iria a uma pré-estreia exclusiva de "Jogador Número 1" em IMAX naquele mesmo dia. Sim, sei que você esta pensando: "É necessário dizer que você foi um um dos primeiros brasileiros a ver o filme?" Não, não é, mas eu quero e vou falar mesmo assim em diversos pontos desse texto. Afinal é de autoria minha.  Enfim...Quer saber, eu estou me distanciando do tema, e também, eu sei que você não quer saber de eu ter me sentindo como em um jogo de VR me sentando na segunda fileira, bem no meio da imensa tela do IMAX (e em 3D ainda)...Esqueçam...Vamos ao que interessa, o motivo de você ter aberto esse texto: "O f...

O cosplayer é um fã que eu nunca conseguirei ser

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A  ideia para esse texto surgiu em uma conversa com meu primo, Leo. Ele tinha ido a uma feira de animes e tinha tirando, claro, um milhão de fotos - até porque, afinal, porque você faz algo sem poder mostrar, não é verdade? -, que em sua maioria eram junto á cosplayers, que, incrivelmente, se vestiam de muita coisa, menos de personagens de animes. Mas eu estou fugindo do ponto. O que quero falar nesse breve texto é sobre o insight que tive durante a conversa: "O cosplayer é o maior fã que existe".  E não digo isso pensando no fato de que são pessoas comuns que se expõem justamente porque gostam de algo, ou porque querem se exibir, e sim, pensando no processo de um cosplay e nas condições ao qual eles se colocam. Para exemplificar, quando você gosta de algo, quando você gosta muito de algo, culturalmente falando, uma camisa da parada, ou um cordão, anel, já basta. O ato de se fantasiar baseado naquilo que você admira, seja num filme, série, jogo, livro, história em quad...

O Dia em que O Hype Acabou

Pra quem não sabe, eu sou um grande fã de Star Wars. Desde criança eu assisto aos filmes e acompanho a saga - não só nos filmes, mas também nos quadrinhos, livros...até um mangá (horrível por sinal) eu tenho. Pra você ter uma ideia, o re-lançamento de A Ameaça Fantasma (o filme mais odiado da série, e não é pra menos) em 3D eu assisti no cinema. Esse pequeno parágrafo inicial não é para ser uma carteirada nerd na sua cara, pelo incrível que pareça, e sim para ilustrar o fato de que, como grande apreciador da criação de George Lucas, eu seria um dos primeiros á ficar completamente entusiasmado com uma prévia de um novo filme ou coisa do tipo. Infelizmente, nós vivemos em tempos onde já não é mais garantido que um longa metragem com Flash, Mulher Maravilha, Batman, e até o Aquaman (com visual respeitável) juntos seja bom. Com esse pequeno detalhe em mente, eu decidi levar á sério - muito a sério - a política de não assistir nenhum trailer importante que sair, basicamente para combat...

Death Note (Ou Porque nós, Definitivamente, não Entendemos o Japão)

Antes de finalmente escrever esse texto que você esta lendo (imaginando, claro, que você não tenha pulado para o final ou simplesmente nem aberto o link) eu estava pensando em falar sobre A Forma da Água, basicamente para ser babaca e esbanjar o fato de que eu havia o assistido em uma pré estreia. Mas antes de sentar-me em minha poltrona de presidente eu decidi falar sobre algo muito melhor que esse romance entre uma mulher e um peixe humanoide.  Por mais que muitos não acreditem, sim, Death Note, da Netflix, é um marco nesse mercado de adaptações de animes para o cinema, já que, ao contrário de seus antecessores, ele é um filme que transcende (usarei essa palavra sempre que puder) todos os níveis de compreensão sobre um produto derivado do Japão.  E esse fenômeno se deve ao fato de que todas as outras tentativas de se levar obras japonesas ás telonas por mãos americanas sempre se prendiam muito ao material fonte. Criando assim uma dicotomia estranha, já que haviam al...

Critica: Doutor Estranho

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Apesar de psicodélico, filme fantástico da Marvel fica refém dos clichês, e de seu próprio tempo. Em um dos momentos inicias de Doutor Estranho (2016), Stephen Strange (Benedict Cumberbatch) esta tratando um paciente em estado grave, na cena seguinte, vemos um embate entre o vilão Kaecilius (Mads Mikkelsen) e a Anciã (Tilda Swinton). Essa cena em específico já mostra que o primeiro longa que traz as telas o universo mágico da Marvel se divide entre o realista e o lúdico, já que junta o comum entra-e-sai de hospitais visto diversas vezes nas séries da Netflix com seus heróis e guerreiros mágicos sempre em conflito. Realidades se confundem Igual aos mundos espelhados, Doutor Estranho, porém, não tem o mesmo sucesso ao sair para o mundo real. semelhante ao esquecer um anel dos magos, o filme se vê preso em seu próprio tempo. Enquanto a Marvel vista em Demolidor mostra um mundo com consequências reais, a Marvel lúdica, contudo, não mostra acontecimentos definitivos. O hospital, ...

Critica: O Contador

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Filme de matador acha em sua falta de sentimentos uma forma de fugir do desgaste. Os filmes de matador estão entre os mais saturados. Não há um ator que já não tenha interpretado um assassino em último serviço, que é traído por seus contratantes ou se apaixona em operação. Gavin O'Connor acha no seu O Contador (The Accountant, 2016) uma forma de fugir do desgaste em um longa que se propõe a ser um drama acima de tudo, não um thriller de ação. Na trama, Christian Wolff (Ben Affleck) é o contador do título, possui sua empresa na qual faz negócios no bairro e ajuda os moradores locais, apesar do relacionamento inter-pessoal não ser seu forte. Fora do expediente, ele é um matador profissional que faz contratos com empresas pertencentes a mafiosos; e é tão bom no que faz que é procurado pela polícia.  Nesse cenário, onde vemos um protagonista autista - interpretado por Affleck de forma impressionante - com uma vida dupla - o assassino e o trabalhador -, O'Connor consegu...