Critica: Jauja

Don Quixote e a jornada metafísica de Lisandro Alonso sobre a beleza da existência e da perda.
"É na procura da locação que surgem as histórias que conto". Essa frase é dita pelo diretor Lisandro Alonso (Liverpool) em entrevistas no lançamento de seu novo longa, Jauja, que é nesse pretexto, um filme que transforma lugares em personagens. E o local onde o longa se passa é propício para seu épico interiorizado. Os vastos e montanhosos caminhos da Patagônia servem para seu enredo, uma ficção que brota em simplórios diálogos, uma história á contar. Mas em seus 110 minutos, Alonso faz em sua película uma jornada folclórica, e "Jauja", como dito no inicio do filme, uma terra prometida de sonhos onde o personagem de Viggo Mortensen passa á margem da loucura em busca de sua filha, que fugiu com um amor adolescente.
E apesar de conceber tramas não muito palpáveis, acredite, Jauja é o filme mais acessível do diretor. Mas não se engane, quando digo "acessível" não me refiro a uma história simplória, mas que indica a onde seu roteiro quer chegar. Mas simplória por simplória é relativo. Seus simbolismos vão de brinquedos (sim...brinquedos) até a insistência da câmera de Timo Salminen, onde seu corte só é feito quando o personagem deixa a cena. E é ai onde Lisandro explora a arte do existencialismo. No metafísico. Na ficção e a realidade na sua Patagônia do século 19. A ficcionalidade brota na beleza da existência e também da perda. Mas igual a Don Quixote - que via em si mesmo e no mundo uma distorção exagerada da realidade, com mulheres indefesas e o sacrifícios dos heróis - em Jauja, o protagonista vê em sua jornada metafísica, sua grandiosidade diante aquelas vastas terras, e por isso, em todas as suas falas, por mais longe que esteja longe da câmera, escuta-se muito bem a voz do personagem. E são nesses momentos que o minimalismo cresce. Apesar de se tratar aqui, quase uma fábula sobre a perda, tanto material - a filha do protagonista - quanto imaterial - o existencialismo.

Mas no final, a escolha de locação na qual Lisandro Alonso fala, que são nelas onde suas histórias são criadas, em Jauja, é o local que move a história, e o existencialismo na qual aqui é retratado. Mas, em seus simbolismos, a existência em Jauja termina quando seu protagonista vira somente um boneco, jogado na água, ou só um reflexo num rio, que acaba sumindo. Nota: 8/5

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