Critica: Perdido em Marte
Um dos pais do sci-fi sombrio, Ridley Scott surpreende em divertida ficção cientifica de sobrevivência espacial.
Diferente de Gravidade, de Alfonso Cuarón, onde a personagem de Sandra Bullock fica á deriva após uma chuva de destroços acabar com a missão de reparação ao Hubble, Perdido e Marte (The Martian, 2015) é mais parecido com Apollo 13 - Do Desastre ao Triunfo do que com o longa de 2013. Já diretor de filmes de sobrevivência no espaço e um dos pais das ficções cientificas sombrias, Ridley Scott, de Blade Runner - O Caçador de Androides faz aqui um longa semelhante ao O Náufrago com Lunar com viés mais divertido. E é curioso que Scott dirigisse outro sci-fi após a decepção em cima de Prometheus, que tentava voltar as suas origens, mas, porém, o cineasta se reinventa num excelente filme de sobrevivência, mas bem diferente do longa que o consagrou, Alien - O Oitavo Passageiro. Não há uma criatura, nem a nave da Nostromo onde o alien ataca suas presas, e sim um dos ambientes mais hostis para a vida terrestre, e por mais que a Nasa tenha anunciado haver água em Marte, o espaço ainda não foi devidamente explorado, e não deixa condições propícias á vida, algo que já foi mostrado em filmes como o próprio Gravidade. Mas um ponto que difere Perdido em Marte da película de Cuarón são as ideias que ambos querem passar. Alfonso tenta mostrar o limite das tenacidades humanas em meio á um acontecimento crítico, enquanto Scott retrata, em diálogos parecidos com livros de auto-ajuda, a vontade de viver do ser humano, algo que O Naufrago e Lunar também fazem.
E enquanto ambos contam histórias de sobrevivência diferentes, também retratam as experiências. Gravidade com a falta de som e a trilha sonora quase claustrofóbica, e The Martian com as partes mais técnicas, algo que Scott transportou bem do livro de Andy Weir, aqui adaptado por Drew Goddard, e o dia-a-dia do astronauta enquanto tenta sobreviver com o que tem em mãos esperando o resgate. E é nesse ponto que a familiaridade com Apollo 13 começa. Em uma missão tripulada ao famigerado Planeta Vermelho, 6 astronautas, incluindo o botânico Mark Watney, vivido por Matt Damon, estão em solo marciano quando uma inesperada e forte tempestade de areia se aproxima, abortando a missão, todos vão para a nave imediatamente, no caminho Watney é atingido por um destroço e cai para longe, e é dado como morto. Após acordar ferido, Watney vai até a base instalada no local para repor o oxigênio e cuidar dos ferimentos, e consumar o fato de que esta muito longe de casa e que uma nova missão não chegara tão cedo para salva-lo. Enquanto isso, em solo terrestre, a NASA percebe que ele esta vivo e usa de toda a sua equipe e da mobilização de outros países á tira-lo de Marte o mais rápido possível. Imagine que o personagem naufrago de Tom Hanks estivesse no espaço e que ele fosse uma espécie de McGyver, que invés de Wilson, só tem câmeras onde faz registros diários, que tem experiência com plantas e temos Mark Watney, que ao contrário dos personagens de Prometheus e até o Deckard de Blade Runner, tem uma empatia com o público muito rápido. O que facilita quado o personagem esta em situações de risco, e isso é devido ao bom humor do longa, recheado de piadas e momentos divertidos, até então inéditos nos filmes de Scott.
No livro, Andy Weir usa de aspectos técnicos para facilitar a compreensão do leitor, usando de fórmulas usadas na ciência, coordenadas, contas matemáticas para a separação de comida, e que foram usadas muito bem por Goddard, que transpõe isso ao longa de forma certeira e deixa-o muito mais interessante. E o realismo acha seu espaço. Apesar de apressar, o roteiro consegue transmitir a noção de tempo, e não fica enjoativo, sempre mostrando as partes com mais detalhes e mais interessantes do dia-a-dia do astronauta, como a plantação de batatas em pleno solo do Planeta Vermelho, o que prolonga os sol's, equivalente ao dia na terra, de sobrevivência de Mark.
O Planeta Vermelho
A fotografia de Dariusz Wolski, junto a direção de arte, conseguem fazer uma ótima representação de Marte. Com alguns efeitos especias e filmadas no deserto, as áreas montanhosas e o solo mais avermelhado fazem uma representação realista do planeta. E o elenco também é igualmente excelente. Com Jessica Chastain, Kristen Wiig, Jeff Daniels, Michael Peña, Sean Bean, Kate Mara, Sebastian Stan e Chiwetel Ejiofor, fazem um ótimo trabalho, com diálogos engraçados e outros mais sérios, todos conseguem fazer boas interpretações. E com uma atuação que mostra a decadência do personagem diante da situação em que ele fica preso, Matt Damon passa o espirito que já vimos em Interestelar por exemplo. Já queríamos que fosse salvo em o Resgate do Soldado Ryan, de Steven Spielberg e aqui de novo, e ao final, a resposta derradeira: Se tem alguém que mostra não poder ficar para trás, esse alguém, sem dúvida, é Matt Damon. Nota: 9/8

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