Critica - Séries de TV: Marvel - Jessica Jones (Temporada 1)
Segundo passo da Marvel na Netflix se inicia com o pé esquerdo.
Diferente de Demolidor, um personagem mais conhecido pelo público, principalmente no Brasil - onde ficou mais conhecido como o Audacioso -, Jessica Jones não é uma das personagens mais famosas. Ao contrário do Homem sem Medo, que teve seu ápice na chegada de Frank Miller, a heroína ganhou mais seu espaço nas HQ'S de Brian Michael Bendis e Michael Gaydos, chamada de Alias. Porém, a série da Marvel na Netflix, o segundo passo que antecede as vindouras Luke Cage, Punho de Ferro e Os Defensores, que se inspira em Alias, tem em certos momentos um viés mais para The Pulse, que detinha um cunho mais jornalístico, do que para a obra de Bendis. A antítese da heroína Safira, a personagem que vemos aqui é a personificação de seu estilo anárquico. Alcoólatra, egoísta, solitária, irônica, grosseira...E claro, superpoderosa. Dona de um passado misterioso e cheia de remorsos, Jessica Jones (Krysten Ritter) é uma detetive particular, que usa seus dons de superforça e pulos alá Hulk para resolver seus casos e os de uma advogada (Carrie-Anne Moss), que a contata quando recebe algum caso importante.
Logo em seu primeiro capitulo já somos jogados no escritório da protagonista onde é contratada por dois pais que tiveram a filha desaparecida. Após aceitar o caso e recolher algumas pistas, a detetive descobre que o indivíduo por trás do desaparecimento da jovem é o desconhecido Kilgrave - no Brasil mais conhecido como Homem-Púrpura -, que no passado havia controlado a mente de Jones fazendo-a cometer atos na qual não se orgulha. Com o "sistema" narrativo diferente de Demolidor, Marvel - Jessica Jones aposta mais no cunho investigativo, afim de permanecer no lado mais urbano da Marvel e começa com o pé esquerdo, e cheio de problemas narrativos. Enquanto Demolidor tentava dar a dignidade do personagem de volta, depois do polêmico filme com Ben Affleck, Jessica Jones não deve nada ao público, e com o lado mais sério adotado pela Netflix, aqui não vemos a heroína trajada com um uniforme colorido, e sim uma anti-heroína, que enquanto é grosseira com todos e sobrevive com seus egoísmos, acaba tornando Hell's Kitchen um lugar melhor no processo, e claro, melhora algumas vidas também. Porém, tudo isso pode ser jogado água abaixo com a chegada de alguém do passado, Kilgrave, que tem poderes de controle mental e transforma a vida de alguns num inferno, como a da própria detetive.
Ao contrário dos extremos de Vincent D'Onofrio como o Rei do Crime em Demolidor, David Tennant (o décimo doutor em Doctor Who) faz em seu Homem-Púrpura uma interpretação contida, que no final se torna até bastante convincente, contudo, não apresenta ameça, apesar de no final só ser uma vítima das circunstâncias. Krysten Ritter de ínicio até convence como Jessica Jones, até surpreende em certas horas, mas depois começa a atuar no modo automático e só melhora quando chega perto do final da temporada. Carrie-Anne Moss (a Trinity de Matrix) se esforça, mas não tem muito em que trabalhar e faz a mesma coisa durante todos os episódios, chega a melhorar em certas partes, mas não convence muito, algo surpreendente para uma atriz de seu calibre. Talvez o que mais tenha dado indícios de um empenho maior no papel é Eka Darville, que faz um vizinho de Jessica Jones e que é viciado em drogas por culpa de Kilgrave e é forçado pela protagonista a acabar com o vício e sua atuação muda completamente, apesar de um pequeno lapso de tempo entre os episódios.
Como em Demolidor, há inúmeras referências ao Universo Marvel, principalmente a Os Vingadores e o ataque dos Chitauri em Manhattan, e também a participação de Rosario Dawson como Claire, uma enfermeira que trata Matt Murdock, o Demolidor. Há partes boas, a fotografia, sempre com tons de cor roxa nos flashbacks e um foco nas partes importantes do cenário nos quadros. As cenas de ação, que não contém as acrobacias e as quantidades cavalares de sangue, são trocadas por tiros e nocauteamentos, ainda que sejam bem ensaiados. Ainda que seja seu segundo passo, a nova série da Marvel na Netflix precisa acertar no tom e no que quer retratar, contendo várias cenas e subtramas desnecessárias. Talvez o que a série Jessica Jones precise é, ironicamente, foco. Nota: 5/6

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